Tuesday, July 8, 2008

E A VIOLÊNCIA CONTINUA!…

                                                                             Speakban Sprechverbot

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TOLERÂNCIA ZERO!

Volta ao espaço público a discussão sobre a violência doméstica. Voltam as televisões a apresentar testemunhos e relatos de maus-tratos, de vidas vividas anos e anos seguidos de medos, de maus-tratos, de ameaças. Tudo porque surgiu mais um estudo, mais um relatório afirmando o que, se para alguns parece óbvio, para outros e outras deve ser inconcebível.

A violência doméstica não diminui. E mais, agora também, uma grande camada de jovens afirma já ter sido vítima de actos de violência por parte dos namorados, por parte de amigos, de colegas de escola, universidade, ou mesmo no local de trabalho. A violência alastra como mancha viva que engorda à medida que se lhe tenta dar menos alimento.

Cresce à medida que as medidas e os meios para a combater vão crescendo também. Importa perguntar porquê? Porque razão ela se instalou e ficou. Permanece e cresce em vez de diminuir, à medida que os valores democráticos, os direitos humanos a cidadania são cada vez mais falados, mais ensinados, à medida que estudos quantitativos e qualitativos, avaliação sistemática das acções se vão desenvolvendo, e novas leis são publicadas e são aplicadas.

Cada vez mais as avaliações de que estas medidas são alvo nos levam a concluir que é preciso, urgentemente, passar da teoria, de que as leis e as teorias sociológicas fazem parte, à prática. Defendo uma campanha de “tolerância zero”.

Claro que, para isso, é preciso saber como concretizar um acervo jurídico vasto, e tantas vezes disperso. Importa apurar se o modelo de justiça penal vigente dá a resposta adequada ao problema específico da violência contra as mulheres. Importa apurar se a qualificação do crime de maus-tratos como crime público serve melhor ou pior os interesses da vítima, do agressor, da sociedade em geral. Se, por um lado, pelo facto de ser público, permite um aumento estatístico das queixas; esse aumento de queixas reflectirá também um aumento de condenações? São muitas e grandes as dificuldades probatórias envolvidas. Importa reflectir sobre os tipos de prova exigidos, os conceitos solidificados por tradições jurídicas seculares. Importa saber se existe uma vontade concreta de, conscientemente, mudar. Mais do que querer mostrar, mediaticamente, que se dão grandes passos, quando, afinal, parece que até agora, e pelos resultados, as montanhas não têm feito mais do que parir ratos.

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Saturday, April 5, 2008

DAR VOZ AOS AGRESSORES…

L'histoire de Rocco est l'un des cinq témoignages du livre
Do livro “Porque batem os homens nas mulheres. Violência Conjugal: a questão”, da autoria de Aldo Rocco, extraímos o relato de um agressor.(1)
Rocco é italiano, tem 53 anos e vive em Chámbery. Bateu na sua mulher ao longo de quase 20 anos. Conta aqui partes do seu passado de marido violento. A sua “descida aos infernos”, como lhe chama. 
 

“Tudo começou há quase vinte anos atrás, numa pequena aldeia da Sicília, na região de agrinto. Durante o dia eu trabalhava numa cooperativa, à noite divertia-me com os meus amigos e namorávamos as raparigas. Nessa época eu era um pequeno machista. Conheci Teresa tinha ela 18 anos. Pouco tempo depois ficou grávida e tivemos que nos casar. Agir de uma outra maneira seria impensável nos anos 70, sobretudo na Sicília.

Lembro-me da primeira vez que lhe levantei a mão, desse momento em que me transformei num verdadeiro monstro… Voltava a casa depois de ter estado com os meus amigos numa série de bares. Ela disse-me que tinha uma “feliz novidade” para me dar. Eu tinha bebido e senti que ela me tinha envolvido numa armadilha. Esse foi o princípio da descida aos infernos. Bati-lhe. Ela perdeu o bebé. Não saberei nunca se foi por causa de mim mas ela acusa-me disso.

Os anos foram passando e a gangrena instalou-se. Continuei a bater-lhe. Sempre. (…)

Porque é que lhe batia? Eu considerava que ela era a responsável. Os meus amigos gozavam-me e brincavam com a minha situação de homem casado. Eu tinha a impressão de ter desperdiçado tudo, toda a minha vida. Queria desembaraçar-me de Teresa. Fiz de tudo para a fazer passar por um ser monstruoso aos olhos dos amigos, da família e dos nossos filhos.
A minha mulher entrou em depressão e foi, sem dúvida, essa doença que lhe salvou a vida.
Hospitalizada mais uma vez, pela centésima vez, depois de tantas e tantas outras vezes em que isso aconteceu, ela conheceu no hospital uma assistente social a quem contou todo o seu drama. Esse segredo que ela vivia há mais de uma dezena de anos.
A Máscara caiu. Eu tinha 42 anos.
De um dia para o outro senti-me como que vazio e a olhar para o que de mim restava. Ela não me perdoará jamais mas eu estou-lhe reconhecido por ter posto um termo a este ciclo vicioso.
Encontrei um padre que me ajudou e depois fiz psicanálise durante quatro anos. Aprendi muito sobre mim próprio. O meu calvário terminou há cerca de nove anos.
Teresa divorciou-se de mim e partiu para refazer a sua vida na Alemanha.
Eu vivo hoje com outra pessoa, em Chambéry e ocupo-me de pessoas idosas. Viverei para sempre com este peso na consciência.
Se hoje conto a minha história é para ajudar outros homens. Eles não o dizem mas também sofrem. A mulher sofre porque o homem lhe bate e a agride fisicamente. O homem sofre porque bate mas não sabe porque é que o faz.
Eu quero dizer aos agressores que, para se livrarem desse horror, devem falar com alguém que os possa ajudar.”


(1) Tradução livre


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Tuesday, March 18, 2008

DISCUSSÕES, USOS, COSTUMES E ALCÓOL…

A notícia foi hoje publicada no Sol online.

Serve para que possamos reflectir um pouco sobre esta mistura explosiva de costumes, de aceitação dos usos vigentes nas sociedades em que os pais escolhem os maridos ou as mulheres para as e as/os suas/seus filhas/os… e depois todo um enquadramento para a sobrevivência.

«Wang e a sua mulher, Luo, casaram a 2 de Fevereiro de 2008. O casal discutia frequentemente sobre coisas triviais até mesmo na lua-de-mel» , segundo um jornal local.
O casal teve mais uma de tantas discussões na noite de 8 de Março «e com a frustração beberam uma garrafa de licor para diminuir a angústia e a raiva».
 
Cerca das 22h, Luo viu o marido deitar-se na cama sem lavar os pés. Num impulso de ira e de álcool a mais, a recém-casada incendiou os lençóis onde Wang estava a dormir.

«Quando o marido acordou, começaram a discutir até que Wang desmaiou. As chamas alastraram-se pelo quarto, Luo conseguiu escapar deixando a sua cara-metade entregue ao fogo» , segundo o jornal local.
As autoridades chinesas já detiveram a recente viúva.

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Friday, February 29, 2008

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA É CRIME!…

Serão precisas palavras ou basta a imagem?

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A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NA CAÇA AO VOTO…

Jornal de Notícias, 29 de Fevereiro

“(…) O tema da violência doméstica - que ainda não tinha sido abordado, em campanha eleitoral, em qualquer comício do líder da Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, embora a ele se tivesse referido no debate televisivo de segunda-feira passada (para criticar o dirigente do Partido Socialista Obreiro Espanhol, PSOE, José Luis Rodríguez Zapatero) -, marcou ontem a intervenção do candidato do Centro-Direita, em Tenerife (Canárias), que disse “Ontem [na quarta-feira], foram assassinadas em Espanha quatro mulheres. Quero condenar esses actos, e expressar a minha solidariedade, como qualquer pessoa decente. E dizer algo mais. Não basta haver uma lei. São precisos tribunais, polícias e medidas preventivas. Não vou esquecer isto. Vou, sim, ocupar-me disso. Serei implacável e absolutamente contundente“.

Entretanto, em Pontevedra, Ana Pastor, secretária-executiva de Política Social do PP, foi mais concreta, propondo ao PSOE “um grande pacto de Estado”.

Zapatero tem feito referência à violência doméstica em todos os comícios do PSOE mas, no debate de segunda-feira, não falou no assunto. Anteontem, em Barakaldo, prometeu que, se for reeleito, convocará todos os presidentes das comunidades autónomas para estabelecer uma política de Estado, global e concertada, contra a violência doméstica.”

Em campanha eleitoral falar de violência doméstica vale votos.

As promessas, em Espanha, serão para cumprir tanto como em Portugal?

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Wednesday, February 27, 2008

NUM SÓ DIA, NUM SÓ JORNAL…

O “24 Horas” trazia hoje, hoje apenas, três notícias sobre homicídio, raptos, agressões e outros tipos de violência de maridos contra as suas companheiras.

Na página 13 um título em letras grandes “Matou a mulher e suicidou-se a tiro” fala de uma vida de desavenças, de agressões, de maus-tratos físicos e psicológicos de um casal português a viver no Liechtenstein.

” (…) estavam separados e andavam em processo de divórcio, no fim de um casamento cheio de ameaças e agressões por parte do marido.” Ou ” Os amigos da família temiam o pior e o pior acabou por acontecer: Joaquim matou Aida a tiro, em plena rua, e suicidou-se de seguida.”

Afinal os amigos sabiam, conheciam o problema de tal maneira que até “temiam o pior”, mas não houve ninguém que fosse capaz de denunciar “o pior” à polícia e assim, pergunto, não terão todos os amigos “os que temiam o pior” mas que nada fizeram, uma quota parte na responsabilidade destes assassínio e suicídio?

A partir de quando começamos a usar os direitos que temos para evitar situações deste tipo?

Ficam órfãos dois filhos. Morreu mais uma mulher que quis pôr fim a uma vida sem esperança e sem direitos.

Na mesma página há uma outra história de um julgamento em Vila Franca de Xira, em que o raptor da ex-mulher lhe pede perdão em tribunal…

Será que vale a pena ainda acreditar neste tipo de comportamentos sabendo nós que o agressor é, de uma forma geral, sempre reincidente?

Em Vila Nova de Milfontes, um homem de 56 anos foi detido com uma arma na mão com a qual pretendera atingir a ex-mulher na cabeça.

Foi detido em flagrante delito. Que pena lhe será decretada? E a pena ficará suspensa, como na maioria dos casos acontece?

Quando é que começamos a dizer “BASTA!” de tal forma que o Poder seja mesmo obrigado a escutar?

Talvez seja preciso GRITAR!!!

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Tuesday, February 26, 2008

ESTE PAÍS NÃO É PARA OS VELHOS…

Poucas vezes um título de um filme terá reflectido tão bem uma realidade tão amarga e actual.

Vivemo-la em Portugal.

Claro que muitos/as dirão que este não é um fenómeno exclusivamente português, mas não me interessa o que de mau existe lá fora.

Interessam-me os números que foram recentemente divulgados de queixas que os mais velhos fazem contra quem os trata mal, quem os humilha, quem os explora e negligencia.

Infelizmente essas queixas são essencialmente feitas contra os que lhes são mais próximos. Os filhos, as noras, os netos… Aqueles a quem, os agora mal tratados, deram a vida, deram carinho, deram o que lhes era possível dar nas condições em que viviam.

O envelhecimento é um direito pessoal e a protecção à velhice deve ser um direito social.
É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a protecção à vida e à saúde, mediante efectivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.

E, no entanto, o fenómeno de violência contra idosos tem vindo a aumentar em Portugal. Os mais recentes números conhecidos revelam que, nos últimos cinco anos, os registos deste tipo de violência triplicaram.

Dos mais de oito mil casos, já um número elevado, passamos para os quase 25 mil em que a vítima do crime tem mais de 64 anos.

Mas das 2911 queixas recebidas na PSP em 2006, apenas 139 são respeitantes a violência contra idosos.

Quando se pensa em violência contra idosos, a tendência do comum dos mortais é pensar em espancamentos, torturas, privações e aprisionamento - esta última uma situação muito comum, aliás, mas para além destas existem muitos outros casos de violência que são complexos, de difícil diagnóstico e também de muito difícil prevenção.

Aponto aqui, claro, os maus tratos e abusos físicos mas também e sobretudo, maus tratos psicológicos, negligência por abandono, negligência nas doses de medicamentos erradas dadas ao idoso que lhe podem causar graves problemas, incluindo a morte.

E os abusos sexuais? E  o abuso material, através da tentativa de extorquir dinheiro?

Os idosos são vítimas silenciosas que não apresentam queixa por medo.

Medo da solidão, mas medo do castigo. Medo da negligencia e do abandono a que são votados.

Definitivamente, este país não é para velhos!

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Monday, February 25, 2008

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Tuesday, January 8, 2008

VER, OUVIR E CALAR…

Lúcio Pedro Tavares, natural de Angola, é um português de 44 anos suspeito de ter morto à facada a mulher, de 34, perto de Estugarda.

Luísa, vamos chamar-lhe assim, já há alguns meses se tinha queixado à polícia das agressões de que era alvo por parte do marido. E separou-se dele. Tinham duas filhas, que ficaram à guarda da mãe. Uma com 10 anos, a outra com 15.


Duas horas antes de ser encontrada sem vida, Luísa e Lúcio tinham tiveram uma violenta discussão, escutada e presenciada por alguns vizinhos.

Todos se calaram. Ninguém chamou a polícia. Ninguém ajudou Luísa.

Todos foram cúmplices de mais esta morte. Porque é preciso denunciar. É preciso não mostrar medo ou indiferença.


Uma colega de trabalho encontrou-a na paragem de eléctrico onde, todos

os dias, esperava transporte para ir trabalhar numa padaria, já sem vida.

Terá sido naquele local que, suspeita a polícia, Lúcio desferiu vários golpes de faca na mulher. A equipa de investigação, composta por treze polícias, acredita que a vítima ainda tentou escapar ao agressor, mas, já na paragem do autocarro, foi golpeada até à morte.

Lúcio Tavares fugiu para parte incerta.

As autoridades acreditam que tenha fugido para Portugal.


Até quando vão os amigos, os vizinhos, os familiares, ver, ouvir e calar?…
 

Posted by idferreira at 13:21:29 | Permalink | Comments (1) »