SVETLANA MORREU POR CAUSA DE UM PROGRAMA DE TELEVISÃO?
Svetlana tinha 30 anos de idade. Nascera na Rússia e vivia em Espanha.
Morreu ASSASSINADA pelo seu ex-namorado, na passada terça feira, dia 27 de Novembro, cinco dias depois de ter participado num programa de televisão onde o agressor também estava.
Eles tinham vivido juntos ao longo de quatro anos. Uma história de amores e desamores onde a violência já era uma prática corrente. Ela tinha conseguido coragem para o deixar há cerca de mês e meio.
Ricardo, o agressor e agora assassino, foi pedir-lhe para reatarem o namoro ali, como agora se usa, “ao vivo e em directo”. Começou por dizer que a separação se tinha devido a problemas financeiros. Depois foi-se aproximando da verdade e reconheceu que era “ciumento de mais” e até “costumava vigiar a namorada”. Mas declarou a Svetlana, perante uma audiência de milhões de espectadores, “Você é tudo para mim!”
Svetlana possivelmente pensou que estaria em segurança ali, numa estação de televisão, onde todos a viam, e recusou o pedido acrescentando que “nem sequer queria manter um relacionamento de amigos”.
Cinco dias depois, Ricardo foi a casa de Svetlana e esfaqueou-a no pescoço.
Em Espanha existe agora uma onda de indignação tão grande contra este tipo de programas e contra a forma como a Comunicação Social trata estes temas que até Encarnacion Orozco, responsável do governo espanhol pelo departamento para a Violência contra as Mulheres, não só criticou como afirmou que “os programas têm de se preocupar em fazer uma maior investigação sobre cada caso”.
E Manuel Ángel Vasquez, presidente do Conselho Audiovisual da Andaluzia, teve a coragem de afirmar que “Estamos a assistir a um processo de degradação progressiva do meio de comunicação que é a televisão, tudo em nome das audiências. A dinâmica do ‘vale tudo’ está a levar a um jogo diabólico”.
Este especialista apelou ainda para que se evite o tipo de programa “baseado na surpresa e na exaltação do mórbido”, e pediu que no mesmo plateau não se juntem duas pessoas, onde uma é a maltratada e a outra a maltratante.
Será sempre precisa uma morte, o assassínio de uma inocente, para que a Comunicação Social reflicta sobre os limites que deve ter em conta, sobre a seriedade e o conhecimento com que devem ser tratados determinados assuntos?