Tuesday, January 8, 2008

VER, OUVIR E CALAR…

Lúcio Pedro Tavares, natural de Angola, é um português de 44 anos suspeito de ter morto à facada a mulher, de 34, perto de Estugarda.

Luísa, vamos chamar-lhe assim, já há alguns meses se tinha queixado à polícia das agressões de que era alvo por parte do marido. E separou-se dele. Tinham duas filhas, que ficaram à guarda da mãe. Uma com 10 anos, a outra com 15.


Duas horas antes de ser encontrada sem vida, Luísa e Lúcio tinham tiveram uma violenta discussão, escutada e presenciada por alguns vizinhos.

Todos se calaram. Ninguém chamou a polícia. Ninguém ajudou Luísa.

Todos foram cúmplices de mais esta morte. Porque é preciso denunciar. É preciso não mostrar medo ou indiferença.


Uma colega de trabalho encontrou-a na paragem de eléctrico onde, todos

os dias, esperava transporte para ir trabalhar numa padaria, já sem vida.

Terá sido naquele local que, suspeita a polícia, Lúcio desferiu vários golpes de faca na mulher. A equipa de investigação, composta por treze polícias, acredita que a vítima ainda tentou escapar ao agressor, mas, já na paragem do autocarro, foi golpeada até à morte.

Lúcio Tavares fugiu para parte incerta.

As autoridades acreditam que tenha fugido para Portugal.


Até quando vão os amigos, os vizinhos, os familiares, ver, ouvir e calar?…
 

Posted by idferreira in 13:21:29 | Permalink | Comments (1) »

SOLIDÃO…


Posted by idferreira in 13:06:09 | Permalink | No Comments »

QUANDO OS HOMENS TAMBÉM SÃO VÍTIMAS…

Várias e vários leitores me têm escrito a referir que a minha visão do fenómeno da violência doméstica é partidária e parcial. Porquê? Porque refiro apenas casos de violência doméstica exercida sobre vítimas do sexo feminino.

Ainda mais uma informação curiosa, ou talvez não, são sobretudo mais mulheres que homens que referem esse facto.

Não sei se já aqui escrevi que o faço, apenas, porque existe uma muito maior percentagem de casos em que as vítimas de VD são mulheres.

E é preciso alertar as consciências de todos/as para essa realidade indesmentível através dos números que se conhecem e que possivelmente nos dariam muito maior preocupação se pudéssemos ficar conhecedores das cifras negras existentes. Isto é, dos factos e dos dados que não se podem quantificar, porque se desconhecem.


Quantas queixas ficaram por fazer?

Quantas agressões tiveram lugar em espaços tão privados que foram escondidas?

Quantas mortes por VD não tiveram afinal outras “causas” determinadas?


Mas hoje vou relatar dois casos de autêntica violência doméstica em que um homem é  vítima. O caso foi divulgado nos jornais. 

Um homem foi abandonado pela companheira com quem viveu cerca de trinta anos.

Sempre se tinham dado bem até que, há cerca de ano e meio, no Verão de 2005, o sexagenário foi operado a um aneurisma, no Hospital de Santa Maria. Quando voltou para casa, estava tudo diferente. A mulher tinha ido à terra e regressado estranha. Começaram as discussões. O homem acrescenta que foi obrigado a mudar-se para o Alentejo, onde tem uma casa de família.

Uma reacção alérgica aos comprimidos que o médico prescreveu para dormir atirou o sexagenário de novo para uma cama de hospital. Entrou em coma ainda em casa. Não se recorda do que se passou depois a não ser o que os vizinhos lhe contaram: que a mulher o pôs no vão das escadas e desapareceu. Depois alguém chamou a polícia. Ele esteve internado no hospital e acordou ao fim de 12 dias em casa do irmão. Da antiga companheira nunca mais teve noticias.

O que teria levado esta mulher a tomar esta atitude?

Sejam quais forem os motivos, esta também é uma situação de violência doméstica.

Posted by idferreira in 12:50:00 | Permalink | No Comments »